Excesso de ferro no sangue: como tratar?

Imagem de um vidro com cápsulas.

Um dos maiores problemas associados ao excesso de ferro no sangue é a dificuldade em diagnosticar essa condição, pois os sintomas são genéricos. E quando o problema não é tratado adequadamente, podem ocorrer consequências seríssimas.

Assim que diagnosticado o excesso de ferro sangue, é necessário adequar a dieta, utilizar um medicamento que diminua a absorção deste mineral pelo intestino e, em casos mais graves, realizar a sangria. Continue a leitura para saber informações detalhadas sobre o assunto!

Pontos-chave

  • O excesso de ferro no sangue pode prejudicar o fígado, pâncreas, coração e diversas glândulas, causando cirrose, diabetes, insuficiência cardíaca, mau funcionamento e descontrole da produção hormonal (respectivamente).
  • A hemocromatose é uma doença causada por uma falha no metabolismo de ferro, devido a uma mutação nos genes responsáveis por este processo. A doença consiste na absorção excessiva deste mineral pelo intestino e eventual acúmulo de ferro nos órgãos.
  • Alguns dos sintomas do excesso de ferro no sangue são fraqueza, cansaço excessivo, perda de peso sem causa aparente, queda de cabelo acentuada e alterações no ciclo menstrual.
  • O excesso de ferro no sangue pode ser tratado com mudanças na dieta e interrupção da suplementação de ferro. Em casos mais graves, pode ser necessário tratar o problema com medicação ou tratamento médico.

Excesso de ferro no sangue: Causas, sintomas e tratamento

O ferro é essencial para o organismo, mas tanto a deficiência, quanto o excesso deste mineral, pode causar diversos problemas de saúde, sendo os mais graves a anemia (deficiência de ferro) e hemocromatose (excesso de ferro).

A hemocromatose caracteriza-se pelo acúmulo de ferro nas articulações, músculos, fígado, pâncreas, coração e órgão sexual e pode provocar diversas complicações que serão mais bem analisadas neste artigo.

Imagem de uma mulher tomando um comprimido.
O suplemento de ferro deve ser consumido sob orientação médica. (Fonte: JEESHOOTS/ Pexels.com)

Quais problemas de saúde são decorrentes do excesso de ferro no sangue?

O excesso de ferro no sangue pode causar diversos problemas de saúde e prejudicar inúmeros tecidos e órgãos.

Em primeiro lugar, quando a concentração de ferro aumenta além das necessidades para a produção de glóbulos vermelhos, enzimas e células musculares, esse mineral é depositado nos órgãos, provocando o aumento de oxidantes, que danificam os tecidos, causando processos inflamatórios.

Os órgãos mais frágeis à ação do excesso de ferro no sangue são, fígado, pâncreas e coração, mas as articulações e as glândulas endócrinas também podem ser prejudicadas.

Outros problemas causados pelo excesso de ferro no sangue estão listados abaixo:

  • Aumento da ferritina;
  • Funcionamento anormal do fígado;
  • Cirrose hepática (condição irreversível);
  • Falência cardíaca (pode ser fatal);
  • Diabetes Mellitus (condição irreversível);
  • Diminuição do tamanho dos órgãos genitais, redução da libido e impotência sexual;
  • Escurecimento da pele;
  • Alterações nas articulações.

O que é hemocromatose?

A hemocromatose (1) é uma doença genética comumente associada a um defeito em um gene chamado HFE, localizado no cromossomo 6. Existem duas mutações conhecidas neste gene, chamadas C282Y e H63D, sendo a C282Y a mais séria.

Quando a mutação é herdada do pai e da mãe, pode ocorrer um excesso de absorção de ferro e resultar na doença. A mutação H63D causa um pequeno aumento de absorção do ferro, enquanto a junção com a mutação C282Y, pode causar o desenvolvimento da doença.

Esse defeito genético está presente desde o nascimento, mas dificilmente os sintomas aparecem antes da fase adulta.

Se a pessoa carrega o gene defeituoso de apenas um dos pais, geralmente não ocorre a progressão da doença. Caso a pessoa carregue os genes defeituoso de ambos, pode ocorrer o desenvolvimento da hemocromatose.

A sobrecarga de ferro nos órgãos pode causar cirrose hepática (fígado), diabetes mellitus (pâncreas), cardiomiopatia (coração) e outras complicações. Importante mencionar que o acúmulo de ferro no fígado também pode aumentar as chances de desenvolver câncer hepático.

Embora não exista uma cura para a hemocromatose hereditária, o tratamento da doença é bastante simples, basta realizar a flebotomia, processo que consiste em retirar uma parte do sangue para que o ferro passe a compor os novos glóbulos vermelhos do organismo.

Imagem de duas ampolas de sangue.
O ferro deve estar em níveis adequados no organismo. (Fonte: Karolina Grabowska/ Pexels.com)

Qual a concentração adequada de ferro no sangue?

A concentração adequada de ferro no organismo varia de três a quatro gramas, presentes na hemoglobina e no plasma sanguíneo. Além disso, o ferro está presente na medula óssea e no fígado.

O volume total deste mineral no organismo é determinado pelo equilíbrio entre a quantidade de ferro que você ingere através de alimentos e suplemento, e a quantidade de ferro perdida.

Como não existe nenhum processo fisiológico para a eliminação do ferro em excesso – com exceção da menstruação nas mulheres – é necessário tomar cuidado com o volume de ferro ingerido.

A boa notícia é que existe um mecanismo intestinal que regula a absorção de ferro no organismo e, quando está em bom funcionamento, permite absorver apenas a quantidade de ferro que o corpo necessita, eliminando a quantidade excedente pelas fezes.

O que causa o excesso de ferro no sangue?

O excesso de ferro no sangue pode ocorrer devido a uma falha no mecanismo que regula a absorção deste mineral no intestino, permitindo que o órgão absorva mais ferro do que realmente precisa (2).

Normalmente, a absorção de ferro pelo intestino é regulada pela hepcidina, um hormônio que regula os níveis de ferro no organismo por meio da supressão da absorção do mineral quando os níveis já estão suficientes.

Quando há excesso de ferro no organismo, os níveis de hepcidina sobem, indicando que o organismo pode reduzir a absorção de ferro. Quando ocorre deficiência de ferro, os níveis de hepcidina caem para que mais ferro seja absorvido.

Quando esse sistema de regulação funciona bem, o nível de ferro na corrente sanguínea mantém-se em níveis adequados.

Porém, alguns distúrbios podem suprimir a produção de hepcidina, fazendo com que haja uma sobrecarga de ferro, mesmo quando o corpo não precisa mais deste mineral.

Outra causa possível do excesso de ferro no sangue é o excesso de transfusões sanguíneas. Lembre-se que o sangue transfundido contém ferro e essa porção de sangue não passa pelo mecanismo de regulação. O excesso de ferro absorvido pelos órgãos é chamado de Hemossiderose.

Quais são os sintomas do excesso de ferro no sangue?

O excesso de ferro no sangue pode causar sintomas bastante genéricos, que podem ser confundidos com outras doenças. Os sintomas mais comuns estão listados abaixo:

  • Cansaço e fraqueza;
  • Dor abdominal;
  • Impotência sexual;
  • Perda de apetite e perda de peso;
  • Dores nas articulações;
  • Queda de cabelo;
  • Alterações no ciclo menstrual – em alguns casos ocorre a interrupção;
  • Arritmia cardíaca;
  • Inchaço;
  • Perda de libido, impotência sexual e atrofia no testículo;

Como é feito o diagnóstico do excesso de ferro no sangue?

A avaliação da concentração de ferro no sangue é realizada sempre que existe alguma disfunção no fígado, coração, pâncreas e órgão sexual que não possa ser explicada.

A análise de excesso de ferro no sangue também pode ser realizada quando existem sintomas associados a doenças pré-existentes. Além disso, são levados em consideração fatores como idade do paciente e histórico familiar.

Junto à uma avaliação rigorosa realizada por especialistas, as pessoas que estão com suspeita de excesso de ferro no sangue devem realizar os seguintes exames:

  • Hemograma completo;
  • Estudos de ferro como ferritina sérica e saturação transferrina;
  • Painel metabólico, incluindo enzimas do fígado;
  • Teste genético para Hemocromatose – principalmente para quem tem histórico familiar para essa doença;
  • Ressonância magnética para quantificação de ferro;
  • Biópsia do fígado para pacientes com evidências de excesso de ferro (essa evidência consta no exame de ressonância magnética).

Como tratar o excesso de ferro no sangue?

O tratamento para reduzir a quantidade de ferro no sangue depende de alguns fatores como concentração deste mineral na corrente sanguínea, sintomas associados e ocorrência de complicações. Os possíveis tratamentos estão listados e detalhados abaixo:

  • Flebotomia: Também chamada de sangria terapêutica, a flebotomia consiste em retirar entre 450 e 500ml de sangue do paciente, diminuindo a concentração de ferro no organismo instantaneamente. A quantidade de sangue retirada é reposta com soro fisiológico.

    As sessões de flebotomia ocorrem periodicamente por alguns meses, dependendo do grau de sobrecarga de ferro apontado no diagnóstico. Durante esse período, são realizados exames de controle periódicos para monitorar os níveis de ferro e ajustar o tratamento.

    Quando os níveis de ferro estão normalizados, começa a fase de manutenção do tratamento, que envolve a retirada de 500ml de sangue e reposição de soro fisiológico, a cada dois ou três meses.
  • Mudanças na dieta: Para controlar a concentração de sangue na corrente sanguínea, é necessário evitar o consumo de alimentos que forneçam esse mineral como fígado, moela, carnes vermelhas, frutos do mar, feijão e verduras verde escuras como espinafre e couve.

    Além disso, pode ser necessário consumir alimentos e bebidas que diminuam a absorção de ferro no organismo, como o leite e derivados. Uma boa estratégica é consumir iogurte como sobremesa no almoço e jantar.
  • Suplemento quelante de ferro: Para tratar o excesso de ferro no organismo, pode ser necessário utilizar um quelante, ou seja, um medicamento que se liga às partículas de ferro, impedindo que o mineral acumule nos órgãos.

Quais as funções do ferro no organismo?

O ferro é um mineral muito importante no organismo, pois atua na produção de hemácias, hemoglobina, no transporte eficaz de oxigênio pelo corpo, fortalecimento do sistema imunológico e desenvolvimento cognitivo em crianças.

Mas para aproveitar todos esses benefícios, o ferro deve ser consumido em quantidades adequadas, através de alimentos ou suplementação de ferro (3). Existem duas versões de ferro obtidas através da alimentação:

  • Ferro Heme só é encontrado em alimentos de origem animal, como a carne vermelha, por exemplo. A absorção do ferro heme é mais simples do que a absorção do ferro não-heme.
  • Ferro não-heme é encontrado em alimentos de origem vegetal e animal. A ingestão de alimentos ricos em vitamina C auxilia na absorção de ferro não-heme.

Quais são os problemas decorrentes da deficiência de ferro no organismo?

A deficiência de ferro também pode ser bastante prejudicial ao organismo. Um dos problemas mais sérios é a anemia ferropriva que influencia na produção, tamanho e teor da hemoglobina do sangue.

A anemia ferropriva é uma doença comum e que atinge principalmente as crianças, mulheres e gestantes. Para tratar essa doença, é necessário consumir alimentos ricos nesse mineral e suplementar ferro (4).

Mas é importante que a suplementação seja implementada com orientação médica, após diagnóstico da deficiência deste mineral pela realização de exames e avaliação clínica.  

Imagem de um vidro com comprimidos.
Em alguns casos, pode ser necessário suplementar ferro. (Fonte: Ri Ya/ Pixabay.com)

O que é suplemento de ferro lipossomal?

Existem inúmeros suplementos de ferro no mercado, mas o melhor é o ferro lipossomal, processado com tecnologia de encapsulação lipossomal, que consiste em “embalar” o mineral em fosfolipídios, microesferas oleosas que preservam e aumentam a biodisponibilidade do mineral.

Recomendamos que você compre o suplemento de ferro lipossomal da Sundt Nutrition, marca alemã referência no segmento. Um diferencial do produto é a adição de vitamina C, que impulsiona a absorção do mineral.

Conclusão

O ferro é um mineral essencial para a saúde, pois influencia na produção de hemoglobina, uma substância que ajuda a transportar oxigênio através das células. Esse mineral pode ser obtido através da alimentação ou suplementação.

Mas o excesso de ferro no sangue pode trazer consequências sérias para o organismo e afetar diversos órgãos como pâncreas, fígado, coração, entre outros, como detalhados ao decorrer deste artigo.

(Fonte da imagem destacada: Stevepb/ Pixabay.com)

References (4)

1. CANCADO, Rodolfo Delfini; CHIATTONE, Carlos Sérgio. Visão atual da hemocromatose hereditária. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, n. 6, p. 469-475, 2010
Source

2. GROTTO, Helena Z. W.. Metabolismo do ferro: uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 30, n. 5, p. 390-397, Oct. 2008 .
Source

3. BORTOLINI, Gisele A.; FISBERG, Mauro. Orientação nutricional do paciente com deficiência de ferro. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 105-113, June 2010 .
Source

4. VELLOZO, Eliana P.; FISBERG, Mauro. A contribuição dos alimentos fortificados na prevenção da anemia ferropriva. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 140-147, June 2010 .
Source

Artigo científico
CANCADO, Rodolfo Delfini; CHIATTONE, Carlos Sérgio. Visão atual da hemocromatose hereditária. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, n. 6, p. 469-475, 2010
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Artigo científico
GROTTO, Helena Z. W.. Metabolismo do ferro: uma revisão sobre os principais mecanismos envolvidos em sua homeostase. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 30, n. 5, p. 390-397, Oct. 2008 .
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Artigo científico
BORTOLINI, Gisele A.; FISBERG, Mauro. Orientação nutricional do paciente com deficiência de ferro. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 105-113, June 2010 .
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Artigo científico
VELLOZO, Eliana P.; FISBERG, Mauro. A contribuição dos alimentos fortificados na prevenção da anemia ferropriva. Rev. Bras. Hematol. Hemoter., São Paulo , v. 32, supl. 2, p. 140-147, June 2010 .
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