Constipação: Causas e tratamento

Cada pessoa tem um ritmo intestinal diferente e a normalidade varia bastante, desde três evacuações por dia até três vezes na semana. Quando existe uma menor frequência para ir ao banheiro, este fato é chamado de constipação, um sintoma muito comum em mulheres e idosos, por isso tem muita relação com os hábitos diários.

No entanto, a constipação nem sempre é algo que pode ser resolvido em casa. Em alguns casos, este sintoma pode estar relacionado com doenças importantes, por isso, é fundamental reconhecer os sinais de alerta e quando é necessário procurar um médico.

Pontos-chave

  • Evacuar menos de três vezes por semana é um sintoma conhecido como constipação. Se este sintoma durar mais de três meses, passa a ser chamado de “constipação crônica”.
  • A constipação é um sintoma, não uma doença. Isso significa que pode surgir por diferentes razões e cada uma pode necessitar de uma estratégia de tratamento diferente.
  • Os medicamentos de venda livre que servem para aliviar a constipação como os laxantes, geralmente não atacam a causa do problema. Desta forma, é recomendado consultar um médico caso a constipação dure por muito tempo.

Tudo que você precisa saber sobre a constipação

Para começar a entender o que é a constipação e como aliviar, é importante que você aprenda a identificá-la corretamente. Abaixo, você vai aprender tudo que você precisa saber sobre a constipação e um pouco mais!

O que é exatamente a constipação?

Muitas pessoas têm uma ideia do que é a constipação, mas frequentemente confundem um dia sem ir ao banheiro com este sintoma ou, inclusive, ignoram que sofrem de constipação quando passam mais de uma semana sem evacuar.

É chamado de constipação quando você evacua menos de três vezes na semana (isso significa que você só vai ao banheiro duas vezes ou menos). Além disso, este sintoma geralmente é acompanhado de fezes muito duras e difíceis de expulsar (1, 2), por isso você pode ficar muito tempo sentado no vaso com vontade de fazer cocô, mas sem sucesso.

É importante também diferenciar o que é a constipação aguda e a crônica. Os profissionais de saúde têm opiniões diferentes de quando começa a prolongar muito, afirmando que é crônico após 3 ou 6 meses (3, 4, 5).

constipação
Evacuar menos de três vezes por semana é conhecido como constipação. (Fonte: Ragiboglu: 83038260 / 123rf.com)

A constipação em diferentes etapas da vida: como reconhecer e o que fazer a respeito?

A constipação pode ocorrer com qualquer pessoa. No entanto, algumas pessoas são muito mais suscetíveis à padecer de constipação ou é muito mais difícil reconhecer se isso realmente ocorre. Abaixo, você vai aprender a identificar a constipação em diferentes idades e em diferentes condições:

Grávidas

As mulheres mesmo sem estarem grávidas são muito mais suscetíveis à sofrer de constipação que os homens da mesma idade, é duas vezes mais provável que aconteça (5, 6)!

Imagine agora que esta mulher tem mudanças no corpo, tanto hormonais (pelo aumento da progesterona) como anatômicos, pela presença de um bebê no seu ventre, é quase certeza que terão este sintoma! Mas, o que fazer para controlar este problema? Aconselhamos o seguinte (7, 8):

  1. Aumente o consumo de água: a água não hidrata apenas as células, mas também é capaz de hidratar as fezes para facilitar a saída. Recomendamos que você tome de 6 a 8 copos de água por dia. Você também pode tentar tomar suco de ameixa (9).  
  2. Inclua um pouco de fibra nas suas refeições: comece aumentando o consumo de verduras, frutas, leguminosas e cereais aos poucos. Se você aumentar drasticamente de um dia para o outro o consumo, você pode sentir um desconforto e, inclusive, ter diarreia. Lembre-se que a quantidade recomendada de fibras ao dia é de 25 a 30 gramas (10).  
  3. Pratique exercícios: o exercício é uma das melhores maneiras de fazer com que o seu intestino se movimente também. Durante a gravidez, é recomendado fazer exercícios de baixo impacto, como caminhada em terrenos planos, exercícios na água ou yoga.
  4. Se nada der certo, tente com os medicamentos aprovados pelo seu médico: existem vários medicamentos para a constipação que você pode utilizar para a gravidez. Os mais comuns são os laxantes (emolientes de fezes) e os suplementos de fibras (11). Não esqueça de seguir a recomendação do seu médico, principalmente se você for tomar laxantes (12).

Se você estiver utilizando suplementos de ferro, é possível que estes estejam contribuindo para a sua constipação. Não recomendamos que você pare de tomar, mas pode ser uma boa ideia mencionar isso ao seu médico, para considerar uma troca no suplemento ou na dose (11).

Mulher grávida sentada na esteira de exercícios
Durante a gravidez, é recomendado fazer exercícios de baixo impacto, como caminhadas em terrenos planos, exercícios na água ou yoga. (Fonte: Białasiewicz: 31487666 / 123rf.com)

Bebês

A constipação em bebês não tem nenhuma relação com a constipação dos adultos. Os bebês raramente sofrem deste sintoma, mas algumas vezes pode ocorrer e ser preocupante. A consistência das evacuações vão ser diferentes, dependendo da idade do bebê. Por isso, criamos uma tabela prática para que você saiba o que é normal e o que não é (13):

Idade O normal Sinais de alerta: procure o pediatra!
Primeiros dias de vida O bebê vai defecar mecônio nas primeiras 24-36 horas. Estas fezes são esverdeadas e amareladas. Não defecar após passadas as primeiras 36 horas.
Primeira semana de vida Cerca de 4-8 evacuações ao dia. Suas evacuações são pouco frequentes, duras e exigem muito esforço do bebê para serem expulsas (fica vermelho do esforço ou aperta com força o abdômen).
A partir dos 28 dias de vida até os 3 meses Diminui a frequência de evacuações. Pode passar vários dias sem defecar, mas as fezes devem ser moles e eliminadas sem grande esforço. Suas evacuações são pouco frequentes, duras e exigem muito esforço do bebê para eliminar.
Depois de começar a comer sólidos (a partir dos seis meses) Geralmente o bebê vai defecar após as refeições ou pelo menos 1 a 2 vezes ao dia. Suas evacuações são pouco frequentes, duras e exigem muito esforço do bebê para eliminar.

Se o seu bebê apresentar qualquer sinal de alerta, não tente resolver em casa, é necessário consultar o pediatra!

Idosos

As pessoas com mais de 65 anos têm três vezes mais possibilidades de sofrer de constipação (1). A medida que o corpo humano envelhece, os movimentos intestinais também ficam um pouco mais lentos. Além disso, algumas doenças e o uso de medicamentos podem estar relacionados com este sintoma (14, 15):

  • Desnutrição e fraqueza;
  • Obstruções intestinais;
  • Alterações na regulação nervosa;  
  • Uso de analgésicos potentes, como os opioides;
  • Medicamentos como antiácidos, suplementos de ferro, antidepressivos e medicamentos para o coração.

Tente fazer pequenas mudanças na sua alimentação, aumentando o consumo de fibras aos poucos, tomando mais água e evitando alimentos muito gordurosos. Se a constipação não melhorar em pelo menos três meses, é melhor consultar um médico para ver se existe alguma razão importante que esteja causando este sintoma.

Por outro lado, se a sua constipação não for acompanhada de outros sintomas, como sangramento ao defecar ou, entre as defecações, perca de peso, inchaço abdominal, vômito ou qualquer outro sintoma que impeça de levar uma vida diária normal, é melhor que você consulte seu médico imediatamente.

visão recortada de um aposentado feliz com as mãos da esposa no ombro
Os idosos têm mais possibilidade de sofrer de constipação. (Fonte: Lightfieldstudios: 117464613 / 123rf.com)

O que tomar para a constipação?

Desde mudanças no estilo de vida até tratamentos com medicamentos, existem muitas coisas para fazer para aliviar a constipação!

Remédios caseiros

Existem muitas coisas que você pode fazer em casa para aliviar a constipação, desde tomar um pouco mais de água, até fazer mais exercícios e incluir alimentos com fibras na alimentação.

Mas, além disso, você pode tentar aplicar estas três técnicas diferentes na sua vida diária, que podem te ajudar a mudar:

  1. Massagens no cólon: de acordo com muitos estudos, as massagens no cólon são capazes de melhorar o trânsito intestinal (16). Para fazer sozinha, você pode sentar no vaso sanitário e elevar os joelhos, para que o abdômen fique solto. Tente massagear na direção normal do cólon (desde a parte superior no quadril direito, por baixo das costelas, até a parte superior do quadril esquerdo). 
  2. Use um banquinho no banheiro: melhorar a postura no banho pode ajudar muito o intestino. Tente elevar os joelhos até o peito usando um banquinho para facilitar a saída das fezes, é simples e rápido! 
  3. Coma ameixas: esta deliciosa fruta contém sorbitol, que funciona como um laxante natural e também contém bastante fibras se forem consumidas inteiras. Outros alimentos que contém este componente são as maçãs, peras e cerejas (17)
Ameixas maduras e suculentas em uma velha mesa de madeira. Vista superior, copie o espaço.
A ameixa é um laxante natural. (Fonte: Igorr: 127890770/ 123rf.com)

Probióticos para a constipação

Os probióticos são suplementos que contêm microrganismos vivos, que normalmente são encontrados em um intestino saudável. Desta forma, podem ajudar a “repovoar” o cólon com bactérias e fungos importantes para devolver seu estado normal.

Foi observado que a alteração da flora intestinal está relacionada com uma piora da constipação e o uso de probióticos pode melhorar esta condição (18).

Escolha probióticos que contenham de cem a mil milhões de unidades formadoras de colônias (UFC) e estejam protegidos por um revestimento entérico que os ajude a chegar ao intestino sem que os seus ácidos estomacais os destruam (19).

garota feliz curtindo a vida e a liberdade no outono na natureza
O exercício é uma das melhores maneiras de fazer com que o intestino funcione. (Fonte: Atamanenko: 45241193 / 123rf.com)

Tratamentos farmacológico para a constipação

Se você não pode melhorar a constipação com as estratégias anteriores, é possível que você precise de alguns medicamentos para dar um “empurrãozinho” no seu sistema digestivo.

Os laxantes são os medicamentos mais utilizados para aliviar a constipação e geralmente é possível encontrá-los como (20)

  1. Laxantes osmóticos: são os mais econômicos e rápidos. Não devem ser usados por idosos, porque podem causar desidratação.
  2. Laxantes estimulantes: sua ação é um pouco mais lenta, mas servem para tratar a constipação causada por medicamentos, como os opioides.  
  3. Laxantes emolientes: são os de efeito mais tardio, mas podem ser utilizados por pessoas com problemas de coração e hipertensão.

É importante lembrar que os laxantes não “curam” a causa da constipação, mas sim, aliviam este sintoma. Se você sofre de constipação crônica, procure seu médico para encontrar a causa.


Nossa conclusão

A constipação não é mais que um sintoma que pode ser relacionado à um estilo de vida desfavorável, mudanças no corpo como ocorre durante uma gravidez, o envelhecimento ou doenças gastrointestinais que exigem atendimento médico.

As primeiras medidas para neutralizar este problema podem ser tomadas em casa, melhorando os hábitos e tomando certos suplementos ou medicamentos de venda livre. No entanto, se este sintoma se prolongar ou piorar rapidamente, é essencial procurar um médico.

Não esqueça de conferir nossos outros artigos, com muitas informações para te ajudar e compartilhe em suas redes sociais para expandir o conhecimento. Caso tenha dúvidas, deixe para nós nos comentários.

(Fonte da imagem destacada: Twinsterphoto: 50498522 / 123rf.com)

Referências(20)

  1. Fundación Española del Aparato Digestivo. Guía para prevenir y tratar el estreñimiento. SaludigestivoEs n.d.
  2. García García JI, Ventura Pérez M, Peña Forcada E, Domingo Regany E. Dolor abdominal urgente: diagnóstico diferencial del estreñimiento. Semergen 2014;40:e51-6.
  3. Wald A. Chronic constipation: advances in management. Neurogastroenterol Motil 2007;19:4–10.
  4. Johanson JF. Constipation. GI Epidemiology, Oxford, UK: Blackwell Publishing Ltd; 2008, p. 184–90.
  5. Gotfield J.Estreñimiento en adultos. Manuales MSD. 2020
  6. McCrea GL, Miaskowski C, Stotts NA, Macera L, Paul SM, Varma MG. Gender differences in self-reported constipation characteristics, symptoms, and bowel and dietary habits among patients attending a specialty clinic for constipation. Gend Med 2009;6:259–71.
  7. Jewell DJ, Young G. Interventions for treating constipation in pregnancy. Cochrane Database Syst Rev 2001:CD001142.
  8. Derbyshire E, Davies J, Costarelli V, Dettmar P. Diet, physical inactivity and the prevalence of constipation throughout and after pregnancy. Matern Child Nutr 2006;2:127–34.
  9. FESNAD y AECOSAN. Hábitos para toda la vida. Hidratación también es salud. [Internet]. 2016
  10. Fibra dietética: esencial para una dieta saludable. MayoclinicOrg 2019.
  11. Personal de Mayoclinic. Estreñimiento en el embarazo: ¿son seguros los ablandadores de heces? MayoclinicOrg 2020.
  12. Societat Catalana de Digestología. Información para pacientes: Estreñimiento. [Internet] scdigestologia.org
  13. Personal de AMIR. Manual de Pediatría. 2019.
  14. Carlos B. y Cols. Guía de buena práctica clínica en geriatría. Estreñimiento en el anciano. Sociedad Española de Geriatría y Gerontología. 2014
  15. Gallegos-Orozco JF, Foxx-Orenstein AE, Sterler SM, Stoa JM. Chronic constipation in the elderly. Am J Gastroenterol 2012;107:18–25; quiz 26
  16. Sinclair M. The use of abdominal massage to treat chronic constipation. J Bodyw Mov Ther 2011;15:436–45.
  17. attaluri A, Donahoe R, Valestin J, Brown K, Rao SSC. Randomised clinical trial: dried plums (prunes) vs. psyllium for constipation: Randomised clinical trial: dried plums in constipation. Aliment Pharmacol Ther 2011;33:822–8.
  18. Dimidi E, Christodoulides S, Fragkos KC, Scott SM, Whelan K. The effect of probiotics on functional constipation in adults: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr 2014;100:1075–84
  19. Antonieta G., Ramon B. Probióticos. Farmacia Profesional. 2017.
  20. Personal de Mayo Clinic. Laxantes de venta libre para tratar el estreñimiento: Úsalos con precaución. [Internet]. Mayoclinic.org. 2018.
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Livro
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Revisão sistemática
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